SEXUALIDADE NAS SÉRIES INICIAIS
TEMA: As Adversidades entre as Pessoas e o seu Desenvolvimento Social, Físico e Mental.
SUB-TEMA: Imagem Corporal e Auto Conhecimento do Próprio Corpo, Auto-Estima, Valores e Diferenças entre Homens e Mulheres, Crianças e Adultos.
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo relatar experiências feita com alunos da rede estadual, onde percebe-se a necessidade de ampliar e integrar as disciplinas de ética, cidadania educação sexual, saúde, meio ambiente e pluralidade cultural nas séries iniciais. A importância de desenvolver um trabalho voltado para a sexualidade infantil, é a de proporcionar momentos de reflexão com as crianças para que os mesmos possam entender o ser humano e suas relações, a valorização da essência do ser, onde as diferenças nos tornam únicos e especiais. Diante disso compreendemos que o melhor caminho para falar sobre sexualidade é o diálogo, sem preconceitos, sem discriminação de gênero, de crença de raças, de diferenças, lembrando sempre que o mais importante é viver a sexualidade sem culpa, sem inibições, mas sim com respeito, com prazer, amor e responsabilidade.
Palavras Chaves: Educação Sexual, Sexualidade Infantil, Ética, Cidadania, Saúde, Reflexão, Ser Humano, Diálogo, Respeito, Responsabilidade.
2) - INTRODUÇÃO
A partir de algumas experiências com alunos da rede estadual, percebemos a necessidade de ampliar e integrar as disciplinas de ética, cidadania educação sexual saúde, meio ambiente e pluralidade cultural nas séries iniciais contemplando as diretrizes e bases dos parâmetros curriculares nacionais.
Neste contexto tem–se como objetivo fundamental proporcionar a sala de aula atividades relacionadas ao seu desenvolvimento social, físico, mental e atributos de gêneros que levem a formação de um sujeito crítico ativo, na construção da sua própria história.
A partir disso, busca-se uma intervenção adequada a esses sujeitos possibilitando que estes construam o conhecimento dos temas propostos de forma que sejam visto como ativos, conscientes de suas possibilidades e limite da sua atuação no contexto escolar.
3) - DESENVOLVIMENTO
Considerando a importância de desenvolver um trabalho voltado para a sexualidade infantil, cabe a nós educadores proporcionar momentos de reflexão com as crianças a fim de pensar o contexto social, novo caminho para entender o ser humano e suas relações, a valorização da essência do ser, onde as diferenças nos tornam únicos e especiais.
Entretanto a sexualidade merece maior destaque no currículo escolar, sendo um tema adotado por toda a comunidade escolar, vivenciados através das relações internas e externas, visando maior valorização de si próprio e do outro conseqüentemente a “humanização do ser humano”.
A sexualidade não é sinônimo de coité e não se limita a presença ou não de orgasmo. Sexualidade é muito mais do que isso: é energia que motiva encontrar o amor, contato, intimidade, se expressando na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas tocam e são tocadas, influencia pensamentos, sentimentos, ações e integrações e, portanto, a saúde física e mental.
A saúde mental é a integração dos aspectos sociais somáticos intelectuais e emocionais, de maneira tal, que influência positivamente a personalidade a comunicação com outras pessoas e o amor (FURLAN apud BLESSA ET AL, 1980).
Diante disso compreendemos que o melhor caminho para falar sobre sexualidade é o diálogo, sem preconceitos, sem descriminação de gênero, de crença de raças, de diferenças, lembrando sempre que o mais importante é viver a sexualidade sem culpa sem inibições, mas sim com respeito, com prazer, amor e responsabilidade.
Já dizia SUPLICY (1990), a educação sexual na escola, deve colocar o diálogo sobre a sexualidade dentro da sala de aula, através de professores com preparo adequado para desempenhar essa tarefa informativa, onde tem como finalidade transmitir informações biológicas e corretas, acentuando o conceito de sexo ligado ao bonito, ao afeto, ao respeito, a responsabilidade e ao prazer.
Porém na fase da infância, cabe ao educador sanar as curiosidades das crianças trabalhando com mais ludicidade, com bonecos onde irá nomear as partes do corpo destacando o sexo, o crescimento e as mudanças corporais, as adversidades entre as pessoas, devendo sempre responder com simplicidade as curiosidades das crianças.
Portanto cabe à escola e o educador transformar e discutir tabus, crenças e atitudes existentes na sociedade, de forma que possamos assumir uma postura ética, respeitando as culturas, os valores e a religião, possibilitando aos educandos e educandas autonomia para eleger seus valores, suas posições e ampliar seu universo de conhecimento.
Pois a criança aprende sobre seu corpo sua sexualidade, seu gênero, do mesmo modo que aprende a falar, andar, e a comer, elas marcam profundamente suas vidas construindo assim, sua própria identidade.
Diante disso, a sexualidade não pode ser vista de maneira fragmentada, mas sim construída historicamente. A sexualidade é uma das mais profundas expressões da condição humana.
Por fim, pode-se, ressaltar, que a sexualidade é uma parte que integra o ser humano, sendo uma necessidade básica do mesmo, que não pode ser separada de outros aspectos da vida.
4) - JUSTIFICATIVA
Nesta intervenção busca-se trabalhar as adversidades entre as pessoas, os valores, crenças, preconceitos, e auto-conhecimento do próprio corpo, entre as crianças oportunizando-as de participar das atividades, problematizando os diferentes pontos de vista que eventualmente surjam nas discussões, e sobre tudo possibilitar que a sala de aula seja um ambiente descontração onde os alunos se sintam a vontade para expressar suas opiniões, com sinceridade e honestidade.
Sabemos que o trabalho com o tema sexualidade nas escolas ainda é revestido de polêmica, devido a multiplicidade de visões, crenças e valores de alunos(as), professores, diretores relacionados a temática .
Porém a dificuldade parece ser maior quando trabalhamos com a educação infantil e as séries iniciais do ensino fundamental, onde parece haver mais duvida acerca da sexualidade infantil.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais os conceitos acerca da sexualidade infantil é a própria aceitação de sua existência apesar de provirem do início do século XX, ainda não são assimilados pela maioria dos educadores.
Muitas vezes consideramos as crianças como ”assexuadas”, “puras” e “inocentes” e tratamos a manifestação da sexualidade destes sujeitos como algo “feio”, “sujo” e “pecaminoso”.
No entanto acreditamos ser importante salientar parafraseando SAYÃO (1997) que é, na realidade, desde o nascimento que ocorre a educação sexual sendo que as primeiras noções e valores relacionados à sexualidade ocorrem predominantemente no contexto familiar ainda que de forma não explicita.
Por tanto a escola deve ter o seu papel claramente diferenciado e definido.
Ainda concordando com SAYÃO (1997, p.113), pensamos que se por um lado, os pais exercem legitimamente seu papel ao transmitirem seus valores particulares aos filhos, por outro lado, ao papel da escola é o de ampliar esse conhecimento em direção a diversidade de valores existentes na sociedade para que o aluno possa ao discuti-los, opinar sobre o que lhe foi ou é apresentado. Por meio da reflexão poderá então encontrar um ponto de auto-referência, o que possibilitará o desenvolvimento de atitudes coerentes com os valores que ele próprio elegeu como seus.
É evidente a importância de se trabalhar a concepção de homem e de mundo nas relações que estabelecem dentro e fora do ambiente escolar, oportunizando-os uma compreensão histórica social da sexualidade dos mitos, valores, e crenças que estão envolvidos nesta questão.
5) - OBJETIVO GERAL
Desenvolver um trabalho coletivo em equipe no ambiente escolar com as crianças, despertando uma consciência acerca da ética, da moral, desenvolvendo atitudes baseadas em valores que devem fazer parte da vida social de todos que compõe a escola, pautadas na solidariedade, respeito, autonomia, diálogo, amizade, afeto, justiça, tolerância, igualdade, convivência e adversidades entre os seres.
6) - OBJETIVO ESPECÍFICO
Possibilitar a construção do respeito mútuo a partir das relações pessoais.
Identificar as características próprias de cada valor ético apresentado.
Compreender o significado dos valores discutidos.
Estabelecer relações entre direitos e deveres.
Reconhecer mudanças e permanências de comportamento em si próprio e nos colegas.
Identificar as partes do corpo, mostrando as diferenças e semelhanças entre homens e mulheres.
Reconhecer a importância da higiene do corpo e da mente.
7) - RECURSOS MATERIAIS
Papel pardo, papel sulfite, cola, cola glítter, cola quente, canetas-hidrocor, livros didáticos, textos, canetinhas, tinta guache, som, vídeo, tesoura, TV, cd, DVD, máquina fotográfica, etc.
8) - COMPETÊNCIAS DESENVOLVIDAS
Comunicação interpessoal.
Auto-Estima.
Controle dos impulsos.
Sinceridade.
Saber ouvir.
Respeito mútuo.
Prestatividade e solidariedade.
Empatia e compreensão do outro.
Tolerância.
9) - METODOLOGIA
- Reflexão (algumas questões relevantes para pensar).
- Que cuidados devo ter com o meu corpo?
- Qual a importância da higiene corporal e mental?
- Como eu estou me comportando em sala de aula, em casa, e na sociedade?
- Quais as diferenças entre os meninos e as meninas?
- Somos todos iguais?
- Debates sobre direitos e deveres das crianças.
- Debates reflexivos sobre os textos informativos.
- Promover trabalhos individuais e coletivos.
- Realizar leituras de imagens.
- Atividades com jogos” Quebra-Cabeça” corpo humano.
- Contando histórias: respeito, sentimentos, amizades.
- Fazendo representações do texto através de desenhos destacando os personagens.
- Músicas, danças, coreografias.
- Dramatização, acróstico do corpo humano.
- Confecção de cartazes.
- Mural de fotos.
- Painéis.
- Exposições dos materiais produzidos.
10) - CULMINÂNCIA
Exposição dos trabalhos “varanda” na escola.
11) - AVALIAÇÃO
Será contínua através da participação de todos, no convívio, atitudes, respeito, nas atividades propostas etc.
12) - BIBLIOGRAFIA
SAYÃO, R (1997), Saber o sexo? Os problemas da informação sexual e o papel da escola. Em: j.g. Aquino. Sexualidade na Escola - Alternativas teóricas e práticas (PP.97-105). São Paulo: Summus.
SAYÃO. Y ( 1997), Orientação Sexual na Escola: Em: j.g. Aquino. Sexualidade na Escola - Alternativas teóricas e práticas ( PP.117). São Paulo: Summus.
SUPLICY, Marta, Papai,Mamãe e Eu. São Paulo: FTD, 1990.
FURLAN, Samira Abu EL Haje. Sexualidade e Educação Sexual; concórdia: UNC, 2004.
LEITE, Kelvia Fabiana Tavares – Professora de Educação Infantil de I à IV Série
Especializada em Educação Infantil e Alfabetização
E-mail: kelvia_e_fernando@hotmail.com - Várzea Grande – MT / 2009
